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Oração pelas vocações
Mensagem para o
Dia Mundial da Paz
Dies Domini
Encíclica «
Dominum et vivificantem »
Homilia em Kiev
O Filho eterno tornado
filho de Maria
Homilia durante celebração ecuménica
Mulieris dignitatem
Mensagem aos
católicos da Áustria
Maria, modelo de contemplação
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Jean Paul II
Oração pelas vocações, 35º dia mundial das vocações, 3 maio 1998
"A esses doze, Jesus enviou-os em missão"
Espírito de Amor eterno,
que procedes do Pai e do Filho,
nós te agradecemos por todas as vocações
de apóstolos e de santos que fecundaram a Igreja.
Nós te suplicamos: continua ainda essa tua obra!
Recorda-te de quando, no dia de Pentecostes,
desceste sobre os Apóstolos reunidos em oração
com Maria, a mãe de Jesus,
e olha para a tua Igreja que hoje
tem uma necessidade especial de sacerdotes santos,
de testemunhas fiéis e legítimas da tua graça;
ela precisa de consagrados e consagradas
que revelem a alegria de quem vive só para o Pai,
de quem faz sua a missão e a oferta de Cristo,
de quem, com a caridade, constrói o mundo novo.
Espírito Santo, Fonte perene de alegria e de paz,
és Tu que abres ao divino chamado o coração e a mente;
és Tu que tornas eficaz todo impulso
para o bem, a verdade, a caridade.
Do coração da Igreja que sofre e luta pelo Evangelho,
sobem ao Pai os teus 'gemidos inexprimíveis'.
Abre os corações e as mentes dos jovens e das jovens,
para que uma nova florescência de santas vocações
revele a fidelidade do teu amor,
e todos possam conhecer Cristo,
luz verdadeira vinda a este mundo
para oferecer a cada ser humano
a firme esperança da vida eterna. Amém.
João Paulo II
Mensagem para o Dia
Mundial da Paz 2002, §9-10
"Que a vossa paz venha sobre essa casa"
As famílias, os grupos, os Estados, a própria Comunidade internacional,
necessitam de abrir-se ao perdão para restaurar os laços interrompidos,
superar situações estéreis de mútua condenação, vencer a tentação de
excluir os outros, negando-lhes a possibilidade de apelo. A capacidade de
perdão está na base de cada projecto de uma sociedade futura mais justa e
solidária.
Pelo contrário, a falta de perdão, especialmente quando alimenta o
prolongamento de conflitos, supõe custos enormes para o desenvolvimento dos
povos. Os recursos são destinados para manter a corrida aos armamentos, as
despesas de guerra, as consequências das represálias económicas. Acabam
assim por faltar os recursos financeiros necessários para gerar
desenvolvimento, paz e justiça. Quantos sofrimentos padece a humanidade por
não saber reconciliar-se, e quantos atrasos por não saber perdoar! A paz é
a condição do desenvolvimento, mas uma verdadeira paz torna-se possível
somente com o perdão.
A proposta do perdão não é de imediata compreensão nem de fácil aceitação;
é uma mensagem de certo modo paradoxal. De facto, o perdão implica sempre
uma aparente perda a curto prazo, mas garante, a longo prazo, um lucro
real. Com a violência é exatamente o contrário: opta-se por um lucro de
vencimento imediato, mas prepara para depois uma perda real e permanente. À
primeira vista, o perdão poderia parecer uma fraqueza, mas não: tanto para
ser concedido quanto para ser aceite supõe uma força espiritual e uma
coragem moral a toda a prova. Em vez de humilhar a pessoa, o perdão leva-a
a um humanismo mais pleno e mais rico, capaz de reflectir em si um raio do
esplendor do Criador.
João Paulo II
Dies Domini
Uma cura num sábado, sinal do dia da nova criação
O dia da nova criação: a comparação entre o domingo cristão e o sábado
próprio do Antigo Testamento suscitou aprofundamentos teológicos de grande
interesse. Fizeram luz, nomeadamente, na relação particular que existe entre
a ressurreição e a criação. Com efeito, a reflexão cristã associou
espontaneamente a ressurreição que sobreveio “o primeiro dia depois de
sábado” ao primeiro dia da semana cósmica no livro do Génesis (1,15)... Essa
ligação convidava a compreender a ressurreição como o começo de uma nova
criação, da qual o Cristo glorioso constitui as primícias, sendo ele próprio
“Primogénito de toda a criatura” e também “Primogénito de entre os mortos” (Col
1, 15.18).
Com efeito o domingo é o dia em que, mais do que qualquer outro, o cristão é
chamado a recordar-se da salvação que lhe foi oferecida no baptismo e que
fez dele um homem novo em Cristo. “Sepultados com Ele no baptismo, foi
também com Ele que ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O
ressuscitou” (Col 2, 12; Rom 6, 4-6). A liturgia sublinha esta dimensão
baptismal do domingo convidando a celebrar também os baptismos, mais do que
na Vigília pascal, nesse dia da semana “ em que a Igreja comemora a
ressurreição do Senhor”, e também ao sugerir, como rito penitencial
apropriado ao início da Missa, a aspersão com água benta, que relembra
precisamente o acontecimento baptismal do qual nasce toda a existência
cristã.
João Paulo II
Encíclica « Dominum
et vivificantem », § 20-21
"Eu te bendigo, ó Pai,.. porque o revelaste aos pequeninos"
Jesus exultou de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Eu te dou
graças, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos
sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque
isto foi do Teu agrado». Jesus exulta pela paternidade divina: exulta porque
lhe foi dado revelar esta paternidade; exulta, por fim, por uma como que
irradiação especial da mesma paternidade divina sobre os «pequeninos». E o
Evangelista qualifica tudo isto como uma «exultação no Espírito Santo».
Aquilo que durante a teofania do Jordão veio, por assim dizer, «do
exterior», do Alto, aqui provém «do interior», isto é, do mais íntimo do ser
que é Jesus. É uma outra revelação do Pai e do Filho, unidos no Espírito
Santo. Jesus fala só da paternidade de Deus e da própria filiação; não fala
directamente do Espírito que é Amor e, por isso, união do Pai e do Filho.
Não obstante, aquilo que ele diz do Pai e de Si-Filho brota daquela
plenitude do Espírito que está nele mesmo e se derrama no seu coração,
impregna o seu próprio «Eu», inspira e vivifica, a partir da profundeza do
que Ele é, a sua acção. Daqui esse seu «exultar no Espírito Santo». A união
de Cristo com o Espírito Santo, da qual Ele tem uma consciência perfeita,
exprime-se nessa «exultação», que torna «perceptível», de certa maneira, a
sua fonte recôndita. Dá-se assim uma especial manifestação e exaltação
próprias do Filho do Homem, de Cristo-Messias, cuja humanidade pertence à
Pessoa do Filho de Deus, substancialmente uno com o Espírito Santo na
divindade.
Na magnífica confissão da paternidade de Deus, Jesus de Nazaré manifesta-se
também a si mesmo, o seu «Eu» divino: Ele é efectivamente, o Filho «da mesma
substância» (consubstancial); e, por isso, «ninguém conhece quem é o Filho
senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, aquele Filho que «por nós,
homens, e para nossa salvação» se fez homem, «por obra do Espírito Santo» e
nasceu de uma virgem, cujo nome era Maria.
João Paulo II
Homilia em Kiev, 24/6/01
«O seu nome é João»
«O Senhor chamou-me desde o seio materno, pronunciou o meu nome desde as
entranhas de minha mãe» (Is 49,1). Celebramos hoje o nascimento de João
Baptista… Hoje podemos fazer nossa esta exclamação. Deus conheceu-nos e
amou-nos antes mesmo que os nossos olhos pudessem contemplar as maravilhas
da criação. Ao nascer, cada homem recebe um nome humano. Mas, ainda antes
disso, ele possui um nome divino: o nome pelo qual Deus Pai o conhece e o
ama desde sempre e para sempre. É assim para todos, sem exclusão. Nenhum
homem é anónimo para Deus! Todos possuem igual valor aos seus olhos: todos
são diferentes, mas todos iguais, todos chamados a ser filhos no
Filho.«João é o seu nome» (Lc 1,63). Zacarias confirma o nome do seu filho
perante os parentes maravilhados, escrevendo-o numa tabuinha. O próprio
Deus, por intermédio do seu anjo, tinha indicado este nome, que em hebreu
significa «Deus é favorável». Deus é favorável ao homem: quer que ele
viva, quer a sua salvação. Deus é favorável ao seu povo: quer fazer dele
uma bênção para todas as nações da terra. Deus é favorável à humanidade:
guia o seu caminho para a terra onde reinam a paz e a justiça. Tudo isto
está inscrito nesse nome: João!
João Paulo II
O Filho eterno tornado filho
de Maria
Que significa proclamar Maria “Mãe de Deus”? Significa reconhecer que
Jesus, o fruto do seu seio, é o Filho de Deus, consubstancial ao Pai, que
o gerou na eternidade (Credo). Um grande mistério, um mistério de amor!
Ele, o Filho único do Pai (Jo 1,14), fez-se um entre nós. Desta forma, “a
eternidade entrou no tempo” e a sucessão dos anos, dos séculos, dos
milénios, não é uma viagem cega para o desconhecido, mas um caminho para
Ele, plenitude do tempo (Ga 4,4) e ponto de chegada da história.Honrando a
Santíssima Virgem como Mãe de Deus, queremos igualmente sublinhar que
Jesus, o Verbo eterno feito carne, é o verdadeiro "filho de Maria”. Ela
transmitiu-lhe a plena humanidade, foi sua mãe e sua educadora,
comunicando-lhe a doçura, a força delicada do seu temperamento e as
riquezas da sua sensibilidade. Maravilhosa troca de dons: Maria que,
enquanto criatura, é primeiro que tudo uma discípula de Cristo e ao mesmo
tempo resgatada por Ele, foi escolhida como sua mãe para modelar a sua
humanidade. Na relação entre Maria e Jesus realiza-se assim de maneira
exemplar e sentido profundo do Natal: Deus fez-se semelhante a nós, para
que nos tornemos, de certa forma, como Ele.
João Paulo II
Homilia durante a celebração ecuménica das testemunhas da fé do século XX,
7/5/00
"Se o mundo vos odeia, reparai que, antes que a vós, me odiou a mim."
"Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste
mundo, vai conservá-la para a vida eterna" (Jo 12, 25). Acabámos de escutar
estas palavras de Cristo. Trata-se de uma verdade que não raro o mundo
contemporâneo rejeita e despreza, fazendo do amor a si mesmo o supremo
critério da existência. Todavia, as Testemunhas da Fé, que inclusivamente
nesta tarde nos falam com o seu exemplo, não consideraram o seu interesse
pessoal, o próprio bem-estar e a sobrevivência como os maiores valores da
fidelidade ao Evangelho. Apesar da sua debilidade, opuseram uma estrénua
resistência ao mal. Na sua fragilidade resplandeceu a força da fé e da
graça do Senhor.A herança preciosa que estas testemunhas corajosas nos
transmitiram constitui um património comum de todas as Igrejas e de cada
Comunidade eclesial. Trata-se de uma herança que fala com uma voz mais alta
do que os factores de divisão. O ecumenismo dos mártires e das Testemunhas
da Fé é o mais convincente, pois indica aos cristãos do século XX a via
para a unidade. É a herança da Cruz vivida à luz da Páscoa: herança que
enriquece e sustenta os cristãos, enquanto iniciam o novo milénio.Que a
memória destes nossos irmãos e irmãs sobreviva no século e no milénio que
acabam de iniciar. Aliás, cresça! Seja transmitida de geração em geração,
para que dela germine uma profunda renovação cristã! Seja conservada como
um tesouro de valor excelso para os cristãos do novo milénio e constitua o
fermento para a obtenção da plena comunhão entre todos os discípulos de
Cristo!É com ânimo repleto de íntima comoção que exprimo estes votos. Rezo
ao Senhor para que a plêiade de testemunhas que nos circunda ajude todos
nós, crentes, a expressar com igual denodo o nosso amor a Cristo, Àquele
que está sempre vivo na sua Igreja: assim como ontem, também hoje, amanhã
e para sempre!
João Paulo II
Mulieris dignitatem
«Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de
uma mulher» (Ga 4,4)
[Em resposta às] aspirações do espírito humano em busca de Deus..., a
"plenitude do tempo" põe em relevo a resposta do próprio Deus... O envio de
Seu Filho, consubstancial ao Pai, como homem "nascido de mulher" (Ga 4,4),
constitui a etapa culminante e definitiva da revelação que Deus faz de Si
mesmo à humanidade... A mulher encontra-se no coração deste acontecimento
salvífico. Na sua essência, a revelação que Deus faz de Si mesmo, a saber,
a unidade insondável da Trindade, está contida na Anunciação de Nazaré.
"-Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e chamar-lhe-ás
Jesus. Ele será grande e será chamado o Filho do Altíssimo. -Como será
isso, se eu não conheço homem? -O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do
Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso, o santo que nascer será
chamado Filho de Deus... Porque nada é impossível a Deus."
É fácil compreender este acontecimento na perspectiva da história de
Israel, o povo eleito de quem Maria é filha, mas é também fácil
compreendê-lo na perspectiva de todos os caminhos por onde a humanidade
procura desde sempre uma resposta às questões fundamentais e ao mesmo tempo
definitivas que mais a obsecam. Não é verdade que, na Anunciação de Nazaré,
se encontra o início da resposta definitiva pela qual o próprio Deus vai ao
encontro da inquietação do coração humano? Não se trata aqui apenas de
palavras de Deus reveladas pelos profetas mas, no momento desta resposta, o
Verbo faz-se realmente carne (Jo 1,14). Maria atinge uma tal união a Deus
que ultrapassa todas as expectativas do espírito humano. Ultrapassa mesmo
as expectativas de todo o Israel e, em particular, das filhas desse povo
eleito que, em virtude da promessa, podiam esperar que uma deles se
tornasse um dia a mãe do Messias. Contudo, qual, de entre elas, podia supor
que o Messias prometido seria o "Filho do Altíssimo"? A partir da fé
monoteísta no tempo do Antigo Testamento, era dificilmente imaginável. Só
pela força do Espírito Santo que "veio sobre ela" é que Maria pôde aceitar
o que "é impossível aos homens mas possível a Deus" (Mc 10,27).
João Paulo II
Mensagem aos
católicos da Áustria, Junho 1982
"Levantar-se-á nação contra nação"
Perante os múltiplos perigos e ameaças contra a existência da humanidade, os
cristãos lutam, com toda a força da sua esperança e em união com todos os
homens de boa vontade, por um futuro mais seguro, mais digno de ser vivido.
Aliás, o que nos anima não é apenas uma esperança puramente terrestre, mas
também e sobretudo essa esperança que provém da fé cujos fundamento e
objectivo são em definitivo o próprio Deus: Deus que, em Cristo Jesus, disse
o seu sim definitivo ao homem. Com a sua cruz e ressurreição, Cristo venceu
todo o sofrimento e toda a calamidade do mundo, tornando-se assim para nós
todos o sinal da esperança.
A esperança é uma virtude divina; é basicamente um dom que obtereis desde
já... se o pedirdes insistentemente a Deus, com os outros e pelos outros...
Nós, os cristãos, temos simultaneamente o dever de manifestar publicamente a
nossa esperança e de a partilhar com os outros. Pelas nossas palavras e
acções, ricas de esperança, ajudaremos os outros a vencerem o medo de viver,
a resignação e a indiferença e a terem confiança em Deus e nos homens. Como
discípulos de Cristo..., oferecereis ao homem de hoje, cercado por mil
ameaças e cheio de confusão, a palavra e a esperança que libertam.
João Paulo II
Maria, modelo de contemplação
A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do
Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou,
recebendo d'Ela também uma semelhança humana que evoca intimidade espiritual
certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se
dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração
concentram-se, de algum modo, sobre Ele, já na Anunciação, quando O concebe
por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua
presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente O dá à luz em Belém,
também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho,
que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).
Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, nº 10
Fonte:
www.evangelhoquotidiano.org
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