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"et quasi flos rosarum in diebus vernis" (Sir. 50,8) 

 

 

 

MAGISTÉRIO DOS SANTOS - João Paulo II

 

Oração pelas vocações

 

Mensagem para o Dia Mundial da Paz
 

Dies Domini

 

Encíclica « Dominum et vivificantem »

 

Homilia em Kiev

 

O Filho eterno tornado filho de Maria
 

Homilia durante celebração ecuménica
 

Mulieris dignitatem

 

Mensagem aos católicos da Áustria

 

Maria, modelo de contemplação

 

Jean Paul II


Oração pelas vocações, 35º dia mundial das vocações, 3 maio 1998

"A esses doze, Jesus enviou-os em missão"

Espírito de Amor eterno,
que procedes do Pai e do Filho,
nós te agradecemos por todas as vocações
de apóstolos e de santos que fecundaram a Igreja.
Nós te suplicamos: continua ainda essa tua obra!
Recorda-te de quando, no dia de Pentecostes,
desceste sobre os Apóstolos reunidos em oração
com Maria, a mãe de Jesus,
e olha para a tua Igreja que hoje
tem uma necessidade especial de sacerdotes santos,
de testemunhas fiéis e legítimas da tua graça;
ela precisa de consagrados e consagradas
que revelem a alegria de quem vive só para o Pai,
de quem faz sua a missão e a oferta de Cristo,
de quem, com a caridade, constrói o mundo novo.
Espírito Santo, Fonte perene de alegria e de paz,
és Tu que abres ao divino chamado o coração e a mente;
és Tu que tornas eficaz todo impulso
para o bem, a verdade, a caridade.
Do coração da Igreja que sofre e luta pelo Evangelho,
sobem ao Pai os teus 'gemidos inexprimíveis'.
Abre os corações e as mentes dos jovens e das jovens,
para que uma nova florescência de santas vocações
revele a fidelidade do teu amor,
e todos possam conhecer Cristo,
luz verdadeira vinda a este mundo
para oferecer a cada ser humano
a firme esperança da vida eterna. Amém.
 

 

João Paulo II


Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2002, §9-10

"Que a vossa paz venha sobre essa casa"

As famílias, os grupos, os Estados, a própria Comunidade internacional,
necessitam de abrir-se ao perdão para restaurar os laços interrompidos,
superar situações estéreis de mútua condenação, vencer a tentação de
excluir os outros, negando-lhes a possibilidade de apelo. A capacidade de
perdão está na base de cada projecto de uma sociedade futura mais justa e
solidária.

Pelo contrário, a falta de perdão, especialmente quando alimenta o
prolongamento de conflitos, supõe custos enormes para o desenvolvimento dos
povos. Os recursos são destinados para manter a corrida aos armamentos, as
despesas de guerra, as consequências das represálias económicas. Acabam
assim por faltar os recursos financeiros necessários para gerar
desenvolvimento, paz e justiça. Quantos sofrimentos padece a humanidade por
não saber reconciliar-se, e quantos atrasos por não saber perdoar! A paz é
a condição do desenvolvimento, mas uma verdadeira paz torna-se possível
somente com o perdão.

A proposta do perdão não é de imediata compreensão nem de fácil aceitação;
é uma mensagem de certo modo paradoxal. De facto, o perdão implica sempre
uma aparente perda a curto prazo, mas garante, a longo prazo, um lucro
real. Com a violência é exatamente o contrário: opta-se por um lucro de
vencimento imediato, mas prepara para depois uma perda real e permanente. À
primeira vista, o perdão poderia parecer uma fraqueza, mas não: tanto para
ser concedido quanto para ser aceite supõe uma força espiritual e uma
coragem moral a toda a prova. Em vez de humilhar a pessoa, o perdão leva-a
a um humanismo mais pleno e mais rico, capaz de reflectir em si um raio do
esplendor do Criador.
 

 

João Paulo II

Dies Domini

Uma cura num sábado, sinal do dia da nova criação

O dia da nova criação: a comparação entre o domingo cristão e o sábado próprio do Antigo Testamento suscitou aprofundamentos teológicos de grande interesse. Fizeram luz, nomeadamente, na relação particular que existe entre a ressurreição e a criação. Com efeito, a reflexão cristã associou espontaneamente a ressurreição que sobreveio “o primeiro dia depois de sábado” ao primeiro dia da semana cósmica no livro do Génesis (1,15)... Essa ligação convidava a compreender a ressurreição como o começo de uma nova criação, da qual o Cristo glorioso constitui as primícias, sendo ele próprio “Primogénito de toda a criatura” e também “Primogénito de entre os mortos” (Col 1, 15.18).

Com efeito o domingo é o dia em que, mais do que qualquer outro, o cristão é chamado a recordar-se da salvação que lhe foi oferecida no baptismo e que fez dele um homem novo em Cristo. “Sepultados com Ele no baptismo, foi também com Ele que ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou” (Col 2, 12; Rom 6, 4-6). A liturgia sublinha esta dimensão baptismal do domingo convidando a celebrar também os baptismos, mais do que na Vigília pascal, nesse dia da semana “ em que a Igreja comemora a ressurreição do Senhor”, e também ao sugerir, como rito penitencial apropriado ao início da Missa, a aspersão com água benta, que relembra precisamente o acontecimento baptismal do qual nasce toda a existência cristã.

 

 

João Paulo II

Encíclica « Dominum et vivificantem », § 20-21

"Eu te bendigo, ó Pai,.. porque o revelaste aos pequeninos"

Jesus exultou de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Eu te dou graças, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isto foi do Teu agrado». Jesus exulta pela paternidade divina: exulta porque lhe foi dado revelar esta paternidade; exulta, por fim, por uma como que irradiação especial da mesma paternidade divina sobre os «pequeninos». E o Evangelista qualifica tudo isto como uma «exultação no Espírito Santo».

Aquilo que durante a teofania do Jordão veio, por assim dizer, «do exterior», do Alto, aqui provém «do interior», isto é, do mais íntimo do ser que é Jesus. É uma outra revelação do Pai e do Filho, unidos no Espírito Santo. Jesus fala só da paternidade de Deus e da própria filiação; não fala directamente do Espírito que é Amor e, por isso, união do Pai e do Filho. Não obstante, aquilo que ele diz do Pai e de Si-Filho brota daquela plenitude do Espírito que está nele mesmo e se derrama no seu coração, impregna o seu próprio «Eu», inspira e vivifica, a partir da profundeza do que Ele é, a sua acção. Daqui esse seu «exultar no Espírito Santo». A união de Cristo com o Espírito Santo, da qual Ele tem uma consciência perfeita, exprime-se nessa «exultação», que torna «perceptível», de certa maneira, a sua fonte recôndita. Dá-se assim uma especial manifestação e exaltação próprias do Filho do Homem, de Cristo-Messias, cuja humanidade pertence à Pessoa do Filho de Deus, substancialmente uno com o Espírito Santo na divindade.

Na magnífica confissão da paternidade de Deus, Jesus de Nazaré manifesta-se também a si mesmo, o seu «Eu» divino: Ele é efectivamente, o Filho «da mesma substância» (consubstancial); e, por isso, «ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, aquele Filho que «por nós, homens, e para nossa salvação» se fez homem, «por obra do Espírito Santo» e nasceu de uma virgem, cujo nome era Maria.

 

João Paulo II


Homilia em Kiev, 24/6/01


«O seu nome é João»

«O Senhor chamou-me desde o seio materno, pronunciou o meu nome desde as
entranhas de minha mãe» (Is 49,1). Celebramos hoje o nascimento de João
Baptista… Hoje podemos fazer nossa esta exclamação. Deus conheceu-nos e
amou-nos antes mesmo que os nossos olhos pudessem contemplar as maravilhas
da criação. Ao nascer, cada homem recebe um nome humano. Mas, ainda antes
disso, ele possui um nome divino: o nome pelo qual Deus Pai o conhece e o
ama desde sempre e para sempre. É assim para todos, sem exclusão. Nenhum
homem é anónimo para Deus! Todos possuem igual valor aos seus olhos: todos
são diferentes, mas todos iguais, todos chamados a ser filhos no
Filho.«João é o seu nome» (Lc 1,63). Zacarias confirma o nome do seu filho
perante os parentes maravilhados, escrevendo-o numa tabuinha. O próprio
Deus, por intermédio do seu anjo, tinha indicado este nome, que em hebreu
significa «Deus é favorável». Deus é favorável ao homem: quer que ele
viva, quer a sua salvação. Deus é favorável ao seu povo: quer fazer dele
uma bênção para todas as nações da terra. Deus é favorável à humanidade:
guia o seu caminho para a terra onde reinam a paz e a justiça. Tudo isto
está inscrito nesse nome: João!

 

 

João Paulo II

O Filho eterno tornado filho de Maria

Que significa proclamar Maria “Mãe de Deus”? Significa reconhecer que
Jesus, o fruto do seu seio, é o Filho de Deus, consubstancial ao Pai, que
o gerou na eternidade (Credo). Um grande mistério, um mistério de amor!
Ele, o Filho único do Pai (Jo 1,14), fez-se um entre nós. Desta forma, “a
eternidade entrou no tempo” e a sucessão dos anos, dos séculos, dos
milénios, não é uma viagem cega para o desconhecido, mas um caminho para
Ele, plenitude do tempo (Ga 4,4) e ponto de chegada da história.Honrando a
Santíssima Virgem como Mãe de Deus, queremos igualmente sublinhar que
Jesus, o Verbo eterno feito carne, é o verdadeiro "filho de Maria”. Ela
transmitiu-lhe a plena humanidade, foi sua mãe e sua educadora,
comunicando-lhe a doçura, a força delicada do seu temperamento e as
riquezas da sua sensibilidade. Maravilhosa troca de dons: Maria que,
enquanto criatura, é primeiro que tudo uma discípula de Cristo e ao mesmo
tempo resgatada por Ele, foi escolhida como sua mãe para modelar a sua
humanidade. Na relação entre Maria e Jesus realiza-se assim de maneira
exemplar e sentido profundo do Natal: Deus fez-se semelhante a nós, para
que nos tornemos, de certa forma, como Ele.

 

 

João Paulo II


Homilia durante a celebração ecuménica das testemunhas da fé do século XX, 7/5/00

"Se o mundo vos odeia, reparai que, antes que a vós, me odiou a mim."

"Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste
mundo, vai conservá-la para a vida eterna" (Jo 12, 25). Acabámos de escutar
estas palavras de Cristo. Trata-se de uma verdade que não raro o mundo
contemporâneo rejeita e despreza, fazendo do amor a si mesmo o supremo
critério da existência. Todavia, as Testemunhas da Fé, que inclusivamente
nesta tarde nos falam com o seu exemplo, não consideraram o seu interesse
pessoal, o próprio bem-estar e a sobrevivência como os maiores valores da
fidelidade ao Evangelho. Apesar da sua debilidade, opuseram uma estrénua
resistência ao mal. Na sua fragilidade resplandeceu a força da fé e da
graça do Senhor.A herança preciosa que estas testemunhas corajosas nos
transmitiram constitui um património comum de todas as Igrejas e de cada
Comunidade eclesial. Trata-se de uma herança que fala com uma voz mais alta
do que os factores de divisão. O ecumenismo dos mártires e das Testemunhas
da Fé é o mais convincente, pois indica aos cristãos do século XX a via
para a unidade. É a herança da Cruz vivida à luz da Páscoa: herança que
enriquece e sustenta os cristãos, enquanto iniciam o novo milénio.Que a
memória destes nossos irmãos e irmãs sobreviva no século e no milénio que
acabam de iniciar. Aliás, cresça! Seja transmitida de geração em geração,
para que dela germine uma profunda renovação cristã! Seja conservada como
um tesouro de valor excelso para os cristãos do novo milénio e constitua o
fermento para a obtenção da plena comunhão entre todos os discípulos de
Cristo!É com ânimo repleto de íntima comoção que exprimo estes votos. Rezo
ao Senhor para que a plêiade de testemunhas que nos circunda ajude todos
nós, crentes, a expressar com igual denodo o nosso amor a Cristo, Àquele
que está sempre vivo na sua Igreja: assim como ontem, também hoje, amanhã
e para sempre!
 

 

João Paulo II


Mulieris dignitatem

«Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher» (Ga 4,4)

[Em resposta às] aspirações do espírito humano em busca de Deus..., a
"plenitude do tempo" põe em relevo a resposta do próprio Deus... O envio de
Seu Filho, consubstancial ao Pai, como homem "nascido de mulher" (Ga 4,4),
constitui a etapa culminante e definitiva da revelação que Deus faz de Si
mesmo à humanidade... A mulher encontra-se no coração deste acontecimento
salvífico. Na sua essência, a revelação que Deus faz de Si mesmo, a saber,
a unidade insondável da Trindade, está contida na Anunciação de Nazaré.
"-Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e chamar-lhe-ás
Jesus. Ele será grande e será chamado o Filho do Altíssimo. -Como será
isso, se eu não conheço homem? -O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do
Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso, o santo que nascer será
chamado Filho de Deus... Porque nada é impossível a Deus."

É fácil compreender este acontecimento na perspectiva da história de
Israel, o povo eleito de quem Maria é filha, mas é também fácil
compreendê-lo na perspectiva de todos os caminhos por onde a humanidade
procura desde sempre uma resposta às questões fundamentais e ao mesmo tempo
definitivas que mais a obsecam. Não é verdade que, na Anunciação de Nazaré,
se encontra o início da resposta definitiva pela qual o próprio Deus vai ao
encontro da inquietação do coração humano? Não se trata aqui apenas de
palavras de Deus reveladas pelos profetas mas, no momento desta resposta, o
Verbo faz-se realmente carne (Jo 1,14). Maria atinge uma tal união a Deus
que ultrapassa todas as expectativas do espírito humano. Ultrapassa mesmo
as expectativas de todo o Israel e, em particular, das filhas desse povo
eleito que, em virtude da promessa, podiam esperar que uma deles se
tornasse um dia a mãe do Messias. Contudo, qual, de entre elas, podia supor
que o Messias prometido seria o "Filho do Altíssimo"? A partir da fé
monoteísta no tempo do Antigo Testamento, era dificilmente imaginável. Só
pela força do Espírito Santo que "veio sobre ela" é que Maria pôde aceitar
o que "é impossível aos homens mas possível a Deus" (Mc 10,27).

 

 

João Paulo II

Mensagem aos católicos da Áustria, Junho 1982

"Levantar-se-á nação contra nação"

Perante os múltiplos perigos e ameaças contra a existência da humanidade, os cristãos lutam, com toda a força da sua esperança e em união com todos os homens de boa vontade, por um futuro mais seguro, mais digno de ser vivido. Aliás, o que nos anima não é apenas uma esperança puramente terrestre, mas também e sobretudo essa esperança que provém da fé cujos fundamento e objectivo são em definitivo o próprio Deus: Deus que, em Cristo Jesus, disse o seu sim definitivo ao homem. Com a sua cruz e ressurreição, Cristo venceu todo o sofrimento e toda a calamidade do mundo, tornando-se assim para nós todos o sinal da esperança.

A esperança é uma virtude divina; é basicamente um dom que obtereis desde já... se o pedirdes insistentemente a Deus, com os outros e pelos outros... Nós, os cristãos, temos simultaneamente o dever de manifestar publicamente a nossa esperança e de a partilhar com os outros. Pelas nossas palavras e acções, ricas de esperança, ajudaremos os outros a vencerem o medo de viver, a resignação e a indiferença e a terem confiança em Deus e nos homens. Como discípulos de Cristo..., oferecereis ao homem de hoje, cercado por mil ameaças e cheio de confusão, a palavra e a esperança que libertam.

 

 

João Paulo II

Maria, modelo de contemplação


A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d'Ela também uma semelhança humana que evoca intimidade espiritual certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se, de algum modo, sobre Ele, já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente O dá à luz em Belém, também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).


Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, nº 10





 

 



Fonte: www.evangelhoquotidiano.org