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"et quasi flos rosarum in diebus vernis" (Sir. 50,8) 

 

 

 

MAGISTÉRIO DOS SANTOS - Isaac de l' Étoile


Homilia 11
 

Sermão 31

 

Isaac de l Étoile (? - c. 1171), monge cisterciense
Homilia 11

“Quem pode perdoar pecados, senão Deus?”

Há duas coisas que apenas provêem de Deus: a honra de receber a confissão e o poder de perdoar. Devemos confessar-nos a Ele, e esperar o seu perdão.


Com efeito, somente a Deus pertence perdoar os pecados; só a Ele, pois, devem ser confessados. Mas o Omnipotente, o Altíssimo, tendo tomado uma esposa fraca e insignificante, fez desta serva uma rainha, colocando a Seu lado a que estava ajoelhada a Seus pés; pois foi do Seu lado que ela saiu, e foi desse modo que Ele a tomou como esposa (Gen 2, 22; Jo 19, 34). E, da mesma maneira que tudo aquilo que pertence ao Filho pertence ao Pai, e tudo aquilo que pertence ao Pai pertence ao Filho pela unidade de natureza que há entre os dois (Jo 17, 10), assim também o Esposo deu todos os seus bens à esposa, e se encarregou de tudo o que pertence à esposa, que uniu a Si mesmo e também a seu Pai. […]É por isso que o Esposo, que é um com o Pai e um com a esposa, retirou dela tudo quanto nela encontrou de estranho, prendendo-lhe os pecados à madeira da cruz, e destruindo-os por meio desse lenho. O que é natural e próprio da esposa, assumiu-o Ele, tomando-o para Si; aquilo que Lhe é próprio e divino, deu-o Ele à esposa. […] Deste modo, partilha a fraqueza da esposa, bem como os seus gemidos, sendo todas as coisas comuns ao Esposo e à esposa: a honra de receber a confissão e o poder de perdoar. É essa a razão da ordem: “Vai mostrar-te ao sacerdote”
(Mc 1, 44).

 

 

Isaac de l’Étoile (?- c. 1171), monge cisterciense

Sermão 31: Pl 194, 1792-1793


Perdoar sete vezes por dia


«Suportai-vos uns aos outros com amor» (Ef 4,2). É esta mesmo a lei de Cristo (Gl 6, 2).

Quando noto, no meu irmão, alguma coisa de incorrigível, consequência de dificuldades ou enfermidades físicas ou morais, porquê não o suportar com paciência, porquê não o consolar de todo o coração, segundo a palavra da Escritura: « Os seus filhos serão levados ao colo e consolados sobre os joelhos» ( Is 66,12)? Será que me falta essa caridade que suporta tudo, que é paciente para aguentar, indulgente para amar? (cf 1 Co 13,7). E esta é, em todo o caso, a lei de Cristo. Na sua Paixão, Ele «tomou verdadeiramente sobre si os nossos sofrimentos», e, na sua misericórdia, «carregou as nossas dores» (Is 53, 4), amando aqueles que levava, levando aqueles que amava.

Aquele que, pelo contrário, se mostra agressivo para com o seu irmão em dificuldade, aquele que arma uma ratoeira à sua fraqueza, qualquer que ela seja, submete-se manifestamente à lei do diabo e cumpre-a. Sejamos pois mutuamente compassivos e cheios de amor fraterno, suportemos as fraquezas e persigamos os vícios... Todo o tipo de vida que permite dedicar-se mais sinceramente ao amor de Deus e, por Ele, ao amor do próximo,-- quaisquer que sejam o hábito e a observância--, é também mais agradável a Deus.


Fonte: www.evangelhoquotidiano.org