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Fé sem ver
PPS III, n° 9
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Cardeal John
Henry Newman (1801-1890), padre, fundador de comunidade religiosa, teólogo
«Faith without Sight» (Fé sem ver)
A fraqueza da fé de Tomás, fonte de graça para a Igreja
Não se deve crer que S. Tomás era muito diferente dos outros apóstolos.
Todos, mais ou menos, tinham perdido a confiança nas promessas de Cristo
quando O viram a ser levado para ser crucificado. Quando Ele foi posto no
túmulo, a esperança deles foi amortalhada com Ele, e quando lhes trouxeram
a notícia que Ele tinha ressuscitado, nenhum acreditou nisso. Quando Ele
lhes apareceu, “reprovou-lhes a sua incredulidade e o seu endurecimento”
(Mc 16,14) … Tomás foi o último a ser convencido, porque foi último a ver
Cristo. Pelo contrário, é certo que não era um discípulo reservado nem
frio: anteriormente, ele experimentara o desejo de partilhar o perigo do
seu Mestre e de sofrer com Ele … : “ vamos nós também, para morrermos com
Ele!” (Jo 11,16). Foi por causa de Tomás que os apóstolos arriscaram a vida
com o seu Mestre.S. Tomás amava pois o seu Mestre, como um verdadeiro
apóstolo, e tinha-se posto ao Seu serviço. Mas quando O viu crucificado,
enfraqueceu na sua fé por algum tempo, como os outros… e mais que os
outros. Ele isolou-se, recusando o testemunho não de uma só pessoa, mas dos
outros dez, de Maria Madalena e das outras mulheres… Faltava-lhe, parece,
uma prova visível do que é invisível, um sinal infalível vindo do céu, como
a escada dos anjos de Jacob (Gn 28,12), para acalmar a sua angústia
mostrando-lhe o fim do caminho no momento de se pôr em marcha. Habitava-o
um desejo secreto de certeza e esse desejo revelou-se na altura do anúncio
da ressurreição de Cristo.O nosso Salvador consente na sua fraqueza,
responde ao seu desejo, mas diz-lhe: “Porque me viste, acreditaste. Felizes
os que acreditam sem terem visto”. É assim que todos os discípulos O
servem, mesmo na sua fraqueza, para que Ele a transforme em palavras de
ensinamento e de conforto para a Sua Igreja.
Cardeal John
Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador de comunidade religiosa,
teólogo
PPS III, n° 9
"Fitando nele o olhar, Jesus sentiu afeição por ele"
Deus olha para
ti, sejas tu quem fores. E "chama-te pelo teu nome" (Jo 10,3). Vê-te e
compreende-te, Ele que te criou. Tudo o que há em ti, Ele o conhece: todos
os teus sentimentos, os teus pensamentos, as tuas inclinações, os teus
gostos, a tua força e a tua fraqueza... Não é só porque fazes parte da sua
criação, d'Ele que se preocupa mesmo com os pássaros (Mt 10,29); tu és um
ser humano, resgatado e santificado, seu filho adoptivo, gozando em parte
dessa glória e dessa bênção que d'Ele se derramam eternamente sobre o Filho
único.
Foste escolhido para seres seu... És um daqueles por quem Cristo ofereceu ao
Pai a sua última oração e selou com o seu sangue precioso. Que pensamento
este, pensamento quase demasiado grande para ser abarcado pela nossa fé!
Quando nisso reflectimos, como não reagir como Sara que se riu maravilhada e
confusa (Gn 18,12)?! "Que é o homem", que somos nós, que sou eu, para que o
Filho de Deus "tenha por mim tão grande cuidado" (Sl 8,5)? Que sou eu...
para que Ele me tenha recriado... e tenha feito do meu coração a sua morada?
Fonte:
www.evangelhoquotidiano.org
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