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Último retiro
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Beata Isabel da
Trindade (1880-1906), carmelita
Último retiro
"Maria, aos pés do Senhor, escutava a sua palavra"
«No silêncio estará a vossa fortaleza» (cf Is 30, 15)... Conservar no Senhor
a fortaleza, é estabelecer a unidade em todo o nosso ser por meio do
silêncio interior, é recolher todas as nossas potências para ocupá-las
unicamente no exercício do amor. É ter aquele olhar simples que permite à
luz de Deus iluminar-nos (Mt 6, 22). Uma alma que discute com o seu, que se
ocupa das suas sensibilidades, que segue pensamentos inúteis e se deixa
arrastar por toda a espécie de desejos, esta alma dispersa as suas forças e
não está totalmente orientada para Deus...Há nela, ainda, muito de humano.
Há dissonâncias.
A alma que no seu reino interior conserva ainda alguma coisa própria para
si, cujas potências não estão totalmente “encerradas” em Deus, não pode ser
um perfeito «louvor de glória» (Ef 1, 14); não está em estado de cantar sem
interrupção o «cântico novo», o grande cântico de que fala S. Paulo, porque
não reina nela a unidade. Em lugar de poder seguir com simplicidade o seu
canto de louvor através de tudo, vê-se forçada a reunir continuamente as
cordas do seu instrumento dispersas aqui e além..
Como esta bela unidade interior é indispensável à alma que quer viver cá em
baixo a vida dos bem aventurados, quer dizer, dos seres simples, dos
espíritos puros. Parece-me que era a isto que o Mestre queria referir-se
quando falava a Maria Madalena do «único necessário». Que bem o compreendeu
aquela grande santa! Iluminada pela luz da fé, tinha reconhecido o seu Deus
oculto sob o véu da humildade; e, no silêncio, quer dizer, na unidade das
suas potências, ela escutava a palavra Ele lhe dirigia... Sim, ela já não
sabia mais nada senão Ele.
Fonte:
www.evangelhoquotidiano.org
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