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"et quasi flos rosarum in diebus vernis" (Sir. 50,8) 

 

 

 

MAGISTÉRIO DOS SANTOS - Aelred de Rielvaux


2º sermão sobre a Anunciação

 

O Espelho da caridade, I, 30-31

 

O Espelho da Caridade, III, 3,4

 

 

Aelred de Rielvaux (1110-1167), monge cisterciense inglês
2º sermão sobre a Anunciação

EVA mudada em AVE

Adão tinha escalado a montanha da soberba; o Filho de Deus quis descer ao vale da humildade. Encontrou um vale para onde descer. Onde se encontra ele? Não em ti, Eva, mãe do nosso mal, não em ti – mas na bem-aventurada Maria. Ela é bem este vale de Hébron, devido à sua humildade e à sua força. Ela é forte devido à sua participação na força da qual está escrito: “O Senhor é forte e poderoso” (Sl 24,8). Ela é a mulher virtuosa que Salomão desejava: “Uma mulher virtuosa, quem a poderá encontrar?”

(Prov 30,10).Eva, apesar de criada no paraíso sem corrupção e sem mancha, sem enfermidade nem dor, revelou-se tão fraca, tão insegura. “Quem encontrará pois a mulher virtuosa?” Podemos encontrá-la nesta terra de miséria, uma vez que não a pudemos encontrar na beatitude do paraíso?...


Dado que se encontrou no paraíso uma mulher tão fraca, quem poderá encontrar aqui a mulher virtuosa? Hoje, Deus Pai encontrou essa mulher, para a santificar; o Filho encontrou-a, para nela habitar; o Espírito Santo encontrou-a, para a iluminar… E o anjo encontrou-a, para a saudar assim: “Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo”. Ei-la, a mulher virtuosa, aquela em quem a ponderação substitui a curiosidade, em quem a humildade elimina toda a vaidade, em quem a virgindade liberta de toda a voluptuosidade.

 

Aelred de Rielvaux (1110-1167), monge cisterciense
O Espelho da caridade, I, 30-31

"O meu jugo é suave"

Aqueles que se queixam de como é áspero o jugo do Senhor talvez não tenham rejeitado completamente o jugo tão pesado da cobiça do mundo ou, se o rejeitaram, a ele de novo se sujeitaram, para sua grande vergonha. Para os que os vêem de fora, levam o jugo do Senhor mas, por dentro, submetem os seus ombros ao fardo das preocupações do mundo. Põem na conta do peso do jugo do Senhor as penas e as dores que se infligem a si mesmos... Quanto ao jugo do Senhor, ele "é suave e o seu peso é leve".

Com efeito, que haverá de mais suave, de mais glorioso, do que ver-se elevado acima do mundo pelo desprezo que se lhe vota e, estando instalado no píncaro de uma consciência em paz, ter o mundo inteiro a seus pés? Percebemos então que não há nada a desejar, nada a temer, nada a cobiçar, nada que seja nosso e que nos possa ser tirado, nada de mal que nos possa ser causado por outrem. O olhar do coração dirige-se para "a herança incorruptível, isenta de mancha e de degradação, que nos está reservada nos
céus" (1 Pe 1,4). Com uma espécie de grandeza de alma, pouco se liga às riquezas do mundo: elas passam; ou aos prazeres da carne: eles estão manchados; ou aos faustos do mundo: eles murcham... E, na alegria, retomamos a palavra do profeta: "Todo o homem é como a erva do campo, toda a sua graça é como a erva que floresce; a erva secou, a flor murchou, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre" (Is 40,6-8)... Na caridade, e só na caridade, residem a verdadeira tranquilidade, a verdadeira doçura - é ela o jugo do Senhor.

 

 

Aelred de Rielvaux (1110-1167), monge cisterciense
O Espelho da Caridade, III, 3,4

Observar o sábado

Num primeiro tempo, tempos de transpirar realizando boas obras, para depois repousarmos na paz da nossa consciência... É esse o sentido da celebração jubilosa de um primeiro sábado em que repousamos dos trabalhos servis deste mundo... e em que já não carregamos os fardos das paixões.

Mas podemos deixar o espaço de intimidade em que celebrámos esse primeiro sábado e ganhar a estalagem do nosso coração, onde estamos habituados a "rejubilar com os que estão na alegria e chorar com os que choram" (Rm 12,15), a "ser fracos com os que são fracos e a arder com os que estão escandalizados" (2 Co 11,29). Aí sentiremos a nossa alma unida à de todos os irmãos pelo cimento da caridade; já não seremos perturbados com os aguilhões do ciúme, nem inflamados pelo fogo da cólera, nem feridos pelas flechas da desconfiança; estaremos livres das devoradoras dentadas da tristeza. Se atrairmos todos os homens ao regaço pacificado do nosso espírito, onde todos se sentem envolvidos, acalentados por uma doce afeição, "num só coração e numa só alma" (Act 4,32), então, saboreando esta maravilhosa doçura, o tumulto das cobiças calar-se-á, o barulho das paixões acalmar-se-á e, dentro de nós, operar-se-á um total desprendimento de todas as coisas prejudiciais, um repouso feliz e pacificador na doçura do amor fraterno. Na quietude deste segundo sábado, a caridade fraterna não deixa subsistir nenhum vício... Impregnado pela doçura pacificante deste sábado, David exultou num grito de júbilo: "Vede como é bom, como é agradável vivermos juntos como irmãos" (Sl 132,1).




Fonte: www.evangelhoquotidiano.org