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MAGISTÉRIO DOS SANTOS - Homilias gregas antigas

 

Uma homilia grega do século IV

 

Uma homilia grega antiga

 

Homilia grega do séc. IV para a 8ª da Páscoa
 


 

 

 

 

 

 

 

 

Uma homilia grega do século IV Inspirada no Tratado sobre a Páscoa, de Sto. Hipólito de Roma (? - cerca de 235), presbítero e mártir

"Eu, porém, digo-vos": é a antiga Lei levada à perfeição por aquele que dá a nova Lei


A Lei dada a Moisés é uma recolha de ensinamentos variados e imperativos, uma colecção útil a todos acerca do que é bom fazer nesta vida e um reflexo místico dos costumes da vida celeste: um archote e uma lâmpada, um fogo e uma luz, réplicas dos luzeiros do alto. A Lei de Moisés era o itinerário da piedade, a regra dos bons costumes, o travão do primeiro pecado, o esboço da verdade futura (Col 2,17)... A Lei de Moisés era um mestre para a piedade e um guia para a justiça, uma luz para os cegos e uma prova para os insensatos, um pedagogo para as crianças e uma amarra para os imprudentes, uma rédea para as cabeças duras e um jugo poderoso para os impacientes.


A Lei de Moisés era o mensageiro de Cristo, o percursor de Jesus, o arauto e o profeta do grande Rei, uma escola de sabedoria, uma preparação necessária e um ensinamento universal, uma doutrina oportuna e um mistério temporário. A Lei de Moisés era um resumo simbólico e enigmático da graça futura, anunciando em imagens a perfeição da verdade que havia de vir. Pelos sacrifícios, anunciava a Vítima; pelo sangue, o Sangue; pelo cordeiro, o Cordeiro; pela pomba, a Pomba; pelo altar, o Sumo Sacerdote; pelo Templo, a permanência da divindade; pelo fogo do altar, a plena "Luz do mundo" (Jo 8,12) que desce dos céus.

 

 

Uma homilia grega antiga
Erradamente atribuída a Orígenes (c.185-253), padre e teólogo

«Porquê ter medo?»


Os discípulos aproximam-se dEle, despertam-no e dizem: «Senhor, ajuda-nos que perecemos!»... Ó bem-aventurados, ó verdadeiros discípulos de Deus, tendes convosco o Senhor, vosso Salvador e temeis um perigo? A Vida está covosco e e inquieta-vos a vossa morte? Tirais do sono o Criador presente convosco, como se Ele não pudesse, mesmo a dormir, acalmar as ondas, fazer cessar a tempestade.
Que respondem a isto os discípulos bem-amados? Somos criancinhas ainda fracas. Ainda não somos homens vigorosos... Ainda não vimos a cruz; a paixão do Senhor, a sua ressurreição, a sua ascensão aos céus, a descida do Espírito Santo Paráclito ainda nos não tornaram sólidos... O Senhor tem razão ao dizer-nos: «Porque temeis, homens de pouca fé?» Porque estais sem força? Porquê essa falta de confiança? Porquê tão pouca temeridade quando tendes a Confiança convosco? Mesmo que a morte irrompesse, não deveríeis suportá-la com grande constância? Em tudo aquilo que acontece, dar-vos-ei a força necessária, em todo o perigo, em toda a prova, incluindo a saída da alma do seu corpo... Se, nos perigos, a minha força é necessária para tudo suportar com fé, como um homem, quanto mais necessária não é ela em presença das tentações da vida, para não cair!


Porque vos perturbais, gente de pouca fé? Sabeis que tenho poder sobre a terra; porque não acreditais que tenho também poder sobre o mar? Se me reconheceis como verdadeiro Deus e Criador de tudo, porque não acreditais que tenho poder sobre tudo o que criei? «Então ergueu-se e comandou com força os ventos e o mar e fez-se uma grande calma».

 

Homilia grega do séc. IV para a 8ª da Páscoa, erradamente atribuída a S. João Crisóstomo


“Que queres Tu de nós, Jesus de Nazaré?”

Não vos apresento um conjunto de bizarrias inauditas, mas aquilo mesmo que
foi antecipadamente escrito no Antigo Testamento pelos profetas. Não
ouvistes o grito de Moisés: “Suscitar-lhes-ei um profeta como tu, entre os
seus irmãos” (Dt 18, 18)? Não ouvistes Isaías anunciar: “A virgem está
grávida e dará à luz um filho” (7, 14)? Não ouvistes David proclamar:
“Baixará como a chuva sobre a relva” (Sl 71, 6)? Acreditai, pois, nos
profetas, compreendei a realidade que eles anunciam, e encontrareis Jesus,
o nazareno (Mt 2, 23). Eis que vos mostrei o caminho: quem quiser, siga-o.
Eis que acendi a chama; saí das trevas.

Jesus, o nazareno: identifico-O pelo nome e pela pátria. Não falo do Jesus
que formou a abóbada dos céus, que acendeu os raios do sol, que concebeu as
constelações no céu, que acende a lâmpada da lua, que fixou o tempo aos
dias, que atribuiu o curso às noites, que estabeleceu a terra firme sobre
as águas, que pôs travão ao mar pela Sua palavra. Jesus, o nazareno: Aquele
acerca de Quem Natanael proclamou as suas dúvidas: “De Nazaré pode vir
alguma coisa boa?” (Jo 1, 46). Aquele diante de Quem a tropa de demónios
tremia dizendo: “Que queres Tu, Jesus de Nazaré?” “Jesus de Nazaré”, diz o
apóstolo Pedro, “homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres,
prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por Seu intermédio”
(Act 2, 22).






Fonte: www.evangelhoquotidiano.org