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"Fogos do Deserto"
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Guigues, o Cartuxo (1083-1136), prior da Grande Cartuxa
"Fogos do Deserto"
“Muito antes de amanhecer, Jesus levantou-Se, foi para um lugar solitário e
pôs-se em oração"
O próprio Jesus, Deus e Senhor, cuja força não tinha necessidade de apoio
no retiro nem estava entravada pela sociedade dos homens, teve contudo o
cuidado de nos deixar o seu exemplo. Antes do seu ministério de pregação e
de milagres, submeteu-Se, na solidão, à prova da tentação e do jejum (Mt 4,
1ss.). Narra a Escritura que, deixando a multidão dos discípulos, subiu
sozinho à montanha, para rezar (Mc 6, 46). Depois, na hora em que a sua
Paixão estava iminente, abandona os discípulos e vai rezar sozinho (Mt 26,
36): exemplo máximo das vantagens da solidão para a oração, pois não deseja
rezar ao lado dos companheiros, mesmo que sejam os apóstolos.Não nos convém
deixar passar em silêncio semelhante mistério, que a todos diz respeito.
Ele, o Senhor, o Salvador do género humano, oferece-nos na Sua Pessoa um
exemplo vivo. Sozinho no deserto, entrega-Se à oração e aos exercícios da
vida interior – ao jejum, à vigília e aos outros frutos de penitência –,
vencendo assim as tentações do adversário com as armas do Espírito.Ó Jesus,
aceito que, exteriormente, ninguém esteja comigo; mas que seja para que, no
interior, esteja ainda mais contigo. Infeliz do homem só, se Tu não estás
só com ele! E quantos homens se encontram entre a multidão, mas na
realidade estão sós, porque não estão contigo. Gostaria de, contigo, nunca
estar só. Porque, nesses momentos em que ninguém está comigo, nem por isso
estou só; sou, eu próprio, uma multidão.
zer ouvir os surdos, de purificar os leprosos e de, com uma palavra, trazer
os mortos de volta à vida (Lc 7,22).
Fonte:
www.evangelhoquotidiano.org
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