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"et quasi flos rosarum in diebus vernis" (Sir. 50,8) 

 

  

SEGUNDA EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS (2 Cor)

 

 

 1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11   12   13 

 

 

1

1 Paulo, Apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus, e o nosso irmão Timóteo, à Igreja de Deus que está em Corinto e a todos os santos que há por toda a Acaia.

2 Graça e paz vos sejam dadas, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

3 Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação,

4 o Qual nos consola em todas as nossas tribulações, para que também possamos consolar os que estão em qualquer angústia com a mesma consolação que recebemos de Deus.

5 Porque, assim como crescem em nós os sofrimentos de Cristo, cresce também por Cristo a nossa consolação.

6 Se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; se somos consolados, é para vossa consolação, que mostra a sua eficácia na paciência com que suportais os mesmos sofrimentos que nós também suportamos.

7 A nossa esperança em relação a vós é firme sabendo que, assim como sois companheiros nas aflições, assim o sereis também na consolação.

8 Em verdade, não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, porque fomos oprimidos acima das nossas forças, de sorte que já não esperávamos conservar a vida.

9 Mais ainda: sentíamos dentro de nós a sentença de morte, para não pormos a nossa confiança em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos.

10 Ele nos livrou e nos livrará de tamanho perigo de morte.

11 Sim, livrar-nos-á, nós o esperamos. Ajudar-nos-eis, também, orando por nós para que esta graça que nos foi obtida pela oração de muitas pessoas, seja agradecida por muitos em nosso nome.

12 Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que nos temos comportado no mundo e, especialmente convosco, com a santidade e sinceridade que vêm de Deus, não com uma sabedoria carnal mas com a graça de Deus.

13 Porque não vos escrevemos outra coisa nas nossas cartas senão o que nelas ledes e compreendeis e espero que o reconhecereis plenamente,

14 como em parte, tendes reconhecido que somos a vossa glória, assim como sereis a nossa, no dia de Nosso Senhor Jesus.

15 Nesta persuasão, quis primeiro ir ter convosco, para que recebêsseis uma segunda graça,

16 e passando por vós ir à Macedónia, e da Macedónia ir outra vez ter convosco e ser acompanhado por vós até à Judeia.

17 Tendo eu, pois, feito este plano, procedi porventura levianamente? Ou, quando tomo uma resolução, tomo-a segundo a carne de sorte que haja em mim simultaneamente «sim» e «não»?

18 Deus é testemunha de que no meu falar convosco não há «sim» e «não».

19 Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, que vos foi pregado por nós, por mim, por Silvano e por Timóteo, não foi «sim» e «não», mas sempre foi «sim».

20 Com efeito, todas as promessas de Deus encontraram n'Ele o seu «sim» e, por isso, é também por Ele que dizemos o nosso “Amen” para glória de Deus.

21 Ora, quem nos confirmou convosco em Cristo e nos ungiu, é Deus,

22 que também nos marcou com o Seu selo e pôs em nossos corações o penhor do Espírito.

23 Ora, eu invoco a Deus por testemunha sobre a minha alma de que foi para ser indulgente convosco que não voltei a Corinto.

24 Não porque pretendamos dominar sobre a vossa fé, mas queremos apenas contribuir para a vossa alegria, pois estais firmes na fé.

 

 

2

1 Determinei, pois, comigo mesmo, não ir ter convosco novamente na tristeza.

2 Porque, se vos contristo, quem é que me alegrará, senão aquele que por mim é contristado?

3 Isto mesmo já vos escrevi, para que, quando eu for, não tenha tristeza daqueles que deviam dar-me alegria, confiando em que a minha alegria vos é comum a todos.

4 Sim, foi numa grande aflição, angústia de coração e com muitas lágrimas, que vos escrevi, não para vos contristar, mas para que conhecêsseis o grande amor que vos tenho.

5 Se alguém foi causa de tristeza, não me contristou a mim, mas, em certa medida, para não exagerar, a todos vós.

6 Para esse basta o castigo infligido pela maioria.

7 Agora é melhor usardes com ele de indulgência e consolá-lo, para que não aconteça que seja consumido por uma tristeza excessiva.

8 Por isso, peço-vos que redobreis de caridade para com ele.

9 Também vos escrevi com a intenção de vos provar, para ver se sois obedientes em tudo.

10 Ora a quem perdoastes também eu perdoo; pois eu, também, o que perdoei, se alguma coisa tive a perdoar, foi por amor de vós com os olhos em Cristo,

11 para não sermos enganados por Satanás, pois que não ignoramos os seus desígnios.

12 Quando cheguei a Tróade para lá pregar o Evangelho de Cristo, embora me fosse aberta uma porta pelo Senhor,

13 não tive repouso no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito e, por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedónia.

14 Mas, graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo e que por meio de nós difunde em todo o lugar o odor do Seu conhecimento,

15 porque somos diante de Deus o bom odor de Cristo entre os que se salvam e entre os que perecem:

16 para uns, odor que da morte leva à morte; para outros, odor que da vida leva à vida. E quem está à altura de uma tal missão?

17 Com efeito, não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, mas falamos em Cristo com sinceridade, da parte de Deus, diante de Deus.

 

 

3

1 Começamos de novo a recomendar-nos a nós mesmos? Ou temos porventura necessidade, como alguns, de cartas de recomendação para vós ou de vós?

2 A nossa carta sois vós, escrita em nossos corações, que é reconhecida e lida por todos os homens,

3 sendo manifesto que vós sois uma carta de Cristo, escrita pelo nosso ministério, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos vossos corações.

4 É que por Cristo, temos esta confiança em Deus.

5 Não que sejamos capazes por nós de pensar alguma coisa como vinda de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus,

6 que também nos fez idóneos ministros da Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, mas o Espírito vivifica.

7 Ora, se o ministério da morte, gravado com letras sobre pedras, foi acompanhado de tal glória que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor, aliás transitório, do seu rosto,

8 quanto mais brilhante não será o ministério do Espírito?

9 De facto, se o ministério de condenação foi glorioso, de muito maior glória é o ministério da justiça.

10 Com efeito, aquela glorificação deixa de ser gloriosa em comparação com esta glória sublime,

11 pois, se o que é passageiro é glorioso, muito mais glorioso será o que é permanente.

12 Tendo, pois, uma tal esperança, procedemos com grande segurança,

13 e não como Moisés, que punha um véu sobre o seu rosto, para que os filhos de Israel não se fixassem no fim do que devia desaparecer.

14 Mas o seu espírito endureceu-se, porque até ao dia de hoje, quando fazem leitura do Antigo Testamento, este mesmo véu permanece sem se levantar, porque é só por Cristo que ele desaparece.

15 Mas, ainda hoje, quando lêem Moisés, um véu está posto sobre o seu coração.

16 Todavia, quando se converterem ao Senhor, o véu será tirado.

17 Ora o Senhor é Espírito, e, onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade.

18 Todos nós, pois, vendo de cara descoberta como num espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, pela acção do Espírito do Senhor.

 

 

4

1 Por isso, tendo nós tal ministério, em virtude da misericórdia, não perdemos a coragem,

2 antes repudiamos todo o proceder vergonhoso e dissimulado. Não procedemos com artifício, nem adulteramos a palavra de Deus, mas recomendamo-nos nós mesmos à consciência de todos os homens, diante de Deus, por meio da manifestação da verdade.

3 E, se o nosso Evangelho ainda está encoberto, é para aqueles que se perdem que está encoberto,

4 para aqueles infiéis de quem o deus deste mundo cegou os entendimentos, para que não resplandeça para eles a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.

5 Em verdade, não nos pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor. Nós, pois, consideramo-nos vossos servos, por Jesus,

6 porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, Ele mesmo iluminou nossos corações, para que neles brilhe o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Jesus Cristo.

7 Trazemos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que se veja bem que esse extraordinário poder vem de Deus e não de nós.

8 Em tudo sofremos tribulação, mas não somos esmagados; somos cercados de dificuldades, mas não desesperamos;

9 somos perseguidos, mas não desamparados; somos abatidos, mas não aniquilados,

10 trazendo sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo.

11 Efectivamente, nós, embora vivamos, somos continuamente entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.

12 A morte, pois, actua em nós, e a vida em vós.

13 Mas, tendo o mesmo espírito de fé, segundo está escrito: “Eu acreditei, por isso falei”, também nós cremos, e por isso também é que falamos,

14 sabendo que Aquele, que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará convosco ao lado d'Ele.

15 Tudo, com efeito, é por amor de vós para que a graça, multiplicando-se entre muitos, faça transbordar a acção de graças, para a glória de Deus.

16 É por isto que não desfalecemos; antes pelo contrário, embora se vá arruinando em nós o homem exterior, todavia, o homem interior vai-se renovando de dia para dia.

17 Sim, o que presentemente é para nós uma tribulação momentânea e ligeira, prepara-nos, para além de toda a medida, um peso eterno de glória,

18 a quantos não olhamos às coisas visíveis, mas sim às invisíveis. Com efeito, as coisas que se vêem são passageiras; as invisíveis são eternas.

 

 

5

1 Em realidade sabemos que, se a tenda desta nossa morada terrena for desfeita, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos humanas, que será eterna nos céus.

2 E por isso também suspiramos no nosso estado actual, por ser revestidos da nossa habitação celeste,

3 contando que sejamos encontrados vestidos e não nus.

4 Realmente enquanto estamos nesta tenda, gememos oprimidos, porque não queremos ser despojados, mas sim revestidos por cima, a fim de que, o que em nós é mortal, seja absorvido pela vida.

5 Ora, quem nos preparou para este destino foi Deus, que nos deu o penhor do espírito.

6 Por isso, estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto estamos no corpo, nos encontramos longe do Senhor,

7 porque caminhamos pela fé, e não pela visão.

8 Cheios de confiança, preferimos sair deste corpo para ir morar junto do Senhor.

9 Por isso, presentes ou ausentes, esforçamo-nos por Lhe agradar.

10 Porque todos havemos de comparecer diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que mereceu, conforme o bem ou mal que praticou enquanto estava no corpo mortal.

11 Conhecendo, pois, o temor do Senhor, procuramos persuadir disto os homens, já que de Deus somos bem conhecidos. Espero que também sejamos conhecidos das vossas consciências.

12 Não vimos recomendar-nos novamente diante de vós, mas dar-vos ocasião de vos gloriardes em nós, para terdes que dizer aos que se gloriam da aparência e não do que está no coração.

13 Com efeito, se fazemos de loucos, é por Deus; se somos sensatos, é por vós.

14 Sim, a caridade de Cristo nos compele, considerando que, se um morreu por todos, todos pois morreram,

15 Cristo morreu por todos, a fim de que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles.

16 De modo que, desde agora, a ninguém conhecemos segundo a carne. E, se conhecemos a Cristo segundo a carne, agora já não O conhecemos assim.

17 Se alguém, pois, está em Cristo, é uma nova criatura: passaram as coisas velhas; eis que tudo se fez novo.

18 Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo por Cristo e nos deu a nós o ministério da reconciliação,

19 porque era Deus que reconciliava consigo o mundo em Cristo, não lhes imputando os seus pecados e encarregando-nos da palavra de reconciliação.

20 Logo, nós desempenhamos as funções de embaixadores de Cristo, exortando-vos Deus por meio de nós. Por Cristo vos rogamos, reconciliai-vos com Deus.

21 Àquele que não tinha conhecido pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos n'Ele justiça de Deus.

 

 

6

1 Ora, sendo nós cooperadores de Cristo, vos exortamos a que não recebais em vão a graça de Deus.

2 Porque Ele diz: «Ouvi-te no tempo aceitável, e te ajudei no dia da salvação». Eis agora o tempo aceitável, eis agora o dia da salvação.

3 Não damos a ninguém ocasião alguma de escândalo, para que não seja censurado o nosso ministério,

4 antes em todas as coisas nos mostramos como ministros de Deus, com muita paciência nas tribulações, nas necessidades, nas angústias,

5 nos açoites, nas prisões, nas sedições, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns;

6 pela castidade, pela ciência, pela longanimidade, pela mansidão, pelo Espírito Santo, por uma caridade não fingida,

7 pela palavra da verdade, pelo poder de Deus, com as armas de justiça na mão direita e na mão esquerda,

8 na honra e na desonra, na calúnia e na boa fama; considerados como impostores, embora sejamos verdadeiros; como desconhecidos, embora conhecidos;

9 como moribundos, mas ainda vivos; como castigados, mas livres da morte;

10 como tristes, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como não tendo nada, mas possuindo tudo.

11 Temo-vos falado, ó coríntios, com toda a franqueza, e o nosso coração dilatou-se.

12 Não é estreito o lugar que ocupais nele. O vosso coração é que é estreito.

13 Dai-nos igual correspondência - falo-vos como a filhos - abri, também vós, largamente o vosso coração. 14 Não vos prendais ao mesmo jugo com os infiéis. Pois, que união pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que há de comum entre a luz e as trevas?

15 Que concórdia entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?

16 Que relação entre o templo de Deus e os ídolos? Porque vós sois o templo de Deus vivo, como Deus disse: “Habitarei neles e andarei entre eles, serei o seu Deus e eles serão o Meu povo”.

17 Portanto, “saí do meio deles e separai-vos” diz o Senhor. “Não toqueis o que é impuro, e Eu vos receberei”.

18 “Serei vosso pai, e vós sereis Meus filhos e Minhas filhas”, diz o Senhor todo-poderoso.

 


7

1 Tendo, pois, estas promessas, meus caríssimos, purifiquemo-nos de toda a imundície da carne e do espírito, levando ao termo a santificação no temor de Deus.

2 Recebei-nos dentro dos vossos corações. A ninguém temos ofendido, a ninguém temos arruinado, a ninguém temos explorado.

3 Não digo isto para vos condenar, pois já vos declarei que estais no nosso coração para a vida e para a morte.

4 Tenho muita confiança em vós, muito me glorio de vós, estou cheio de consolação, inundado de alegria no meio de todas as nossas tribulações.

5 Em verdade, desde a nossa chegada à Macedónia, a nossa carne nenhum repouso teve, antes sofremos toda a tribulação: no exterior, combates; no interior, temores.

6 Deus, porém, que consola os humildes, consolou-nos com a chegada de Tito;

7 e, não somente com a sua chegada, mas também com a consolação que recebeu de vós, referindo-me ele o vosso desejo, as vossas lágrimas, o vosso zelo por mim, de modo que a minha alegria aumentou.

8 Desta forma, embora eu vos tenha entristecido com a minha carta, não me arrependo disso; se bem que a princípio tenha sentido pesar, vendo que tal carta, ainda que por breve tempo, vos entristeceu,

9 agora alegro-me, não de vos ter entristecido, mas de que a vossa tristeza vos levou à penitência. Entristecestes-vos segundo Deus, de modo que em nada recebestes dano de nós,

10 porque a tristeza, que é segundo Deus, produz uma penitência estável para a salvação; pelo contrário, a tristeza do século produz a morte.

11 Vede, pois, o que produziu em nós essa tristeza, segundo Deus: quanta solicitude, que justificação, que indignação, que temor, que desejo, que zelo, que castigo! Vós mostrastes em tudo que éreis inocentes neste assunto.

12 Portanto, se vos escrevi, não o fiz por causa daquele que fez a injúria, nem por causa daquele que a padeceu, mas sim para que se manifestasse a vossa solicitude por nós, diante de Deus.

13 Eis o que nos consolou. Mas, na nossa consolação, ainda mais nos alegramos pela alegria de Tito, porque o seu espírito foi tranquilizado por todos vós.

14 Se, diante dele, me mostrei um pouco orgulhoso de vós, não me envergonho disso; pelo contrário, como tudo o que vos temos dito foi com verdade, assim também o elogio que de vós fizemos a Tito, viu-se ser verdade.

15 Por isso a sua ternura por vós é cada vez maior, ao lembrar-se da obediência de todos vós e de como o recebestes com temor e tremor.

16 Eu me alegro de poder contar em tudo convosco.

 

 

8

1 Ora nós vos fazemos conhecer, irmãos, a graça de Deus que foi dada às Igrejas da Macedónia:

2 no meio das muitas tribulações com que foram provadas, superabundou a sua alegria e a sua extrema pobreza, que transbordaram em tesouros de liberalidade.

3 Dou testemunho de que foram espontaneamente liberais, segundo as suas posses e ainda acima das suas posses,

4 rogando-nos com muito encarecimento a graça de tomar parte nesta assistência aos santos.

5 Ultrapassaram as nossas esperanças. Deram-se a si mesmos, primeiro, ao Senhor, depois a nós pela vontade de Deus,

6 de maneira que rogamos a Tito que, assim como começou, acabe também entre vós esta obra de generosidade.

7 Assim, como abundais em tudo - na fé, na eloquência, na ciência, em toda a solicitude e na caridade para connosco -, assim também abundeis nesta obra de generosidade.

8 Não falo como quem manda, mas para experimentar com o exemplo da solicitude dos outros a sinceridade da vossa caridade.

9 Com efeito conheceis a liberalidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, fez-se pobre por vós, a fim de que vós fosseis ricos pela Sua pobreza.

10 Isto é um conselho que vos dou, porque é útil para vós, que desde o ano passado começastes não só a fazer, mas também a sugerir a ideia.

11 Agora, pois, acabai a obra, para que, assim como a vontade está pronta para querer, também o esteja para cumprir, segundo os vossos meios.

12 Se a vontade está pronta para dar, é aceite segundo aquilo que se tem, não segundo aquilo que se não tem.

13 Não se pretende que os outros tenham alívio e vós fiqueis em aflição, mas que haja igualdade.

14 Na circunstância presente a vossa abundância supra a sua indigência, para que também a sua abundância supra a vossa indigência, de maneira que haja igualdade, como está escrito:

15 “Quem tinha colhido muito, não teve de mais, e quem tinha colhido pouco, não teve de menos”. 16 Graças a Deus, que pôs no coração de Tito a mesma solicitude por vós,

17 porque não só recebeu bem o meu pedido, mas, sendo mais solícito, espontaneamente partiu a visitar-vos.

18 Enviamos também com ele aquele irmão, que é louvado em todas as Igrejas pela pregação do Evangelho

19 e, não somente, por isto, mas também porque foi escolhido pelas Igrejas por companheiro da nossa peregrinação para esta beneficência em que nos empenhamos, para glória do Senhor e satisfação do nosso coração,

20 evitando assim que alguém nos possa censurar a respeito desta abundante colecta que administramos.

21 Verdadeiramente procuramos fazer o bem, não só diante de Deus, mas também diante dos homens.

22 Com eles enviamos também um nosso irmão, cuja solicitude muitas vezes temos experimentado em muitas coisas, e que agora é muito mais solícito, pela grande confiança que tem em vós.

23 Quanto a Tito, é meu companheiro e cooperador junto de vós; quanto aos outros nossos irmãos, são os enviados das Igrejas, glória de Cristo.

24 Dai-lhes, pois, aos olhos das Igrejas, a prova da vossa caridade e de que temos razão quando nos gloriamos de vós.

 

 

9

1 Quanto ao socorro destinado aos santos, é coisa supérflua eu escrever-vos.

2 Com efeito, conheço a prontidão da vossa vontade, pela qual me glorio de vós diante dos macedónios, aos quais eu digo que a Acaia também está pronta, desde o ano passado. O vosso zelo tem estimulado a muitos.

3 Enviei, porém, nossos irmãos, para que o elogio que fizemos de vós não se frustre neste ponto, e que estejais preparados, como eu disse,

4 não aconteça que, ao chegarem os macedónios comigo, vos encontrem desprevenidos, e tenhamos nós, para não dizer vós, de nos envergonhar a este respeito.

5 Portanto, julguei necessário rogar a estes irmãos que fossem antes de mim e que preparassem a liberalidade prometida, a fim de que esteja pronta, com generosidade e não com mesquinhez.

6 Digo-vos isto: aquele que semeia pouco, também ceifará pouco; aquele que semeia em abundância, também ceifará em abundância.

7 Cada um dê como propôs no seu coração, não com tristeza nem constrangido, porque “Deus ama quem dá com alegria”.

8 Deus é poderoso para fazer abundar em vós todos os bens, para que, tendo sempre em todas as coisas tudo o que é suficiente, abundeis em toda a obra boa,

9 como está escrito: “Repartiu com largueza, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre”.

10 Aquele que dá semente ao semeador e pão para comer, multiplicará a vossa semente e aumentará sempre mais os frutos da vossa justiça,

11 para que, enriquecidos em tudo, tenhais abundantemente com que fazer toda a espécie de liberalidades, e, por meio de nós, sejam dadas graças a Deus.

12 Em realidade, a prestação deste sagrado serviço, não só dá remédio às necessidades dos santos, mas também redunda em muitas acções de graças aoSenhor;

13 por causa da virtude provada que esta oferta mostra em vós, dão glória a Deus pela submissão que mostrais ao Evangelho de Cristo e pela sinceridade da vossa liberal união com eles e com todos.

14 Eles pedem por vós, amando-vos muito, por causa da sobreabundante graça de Deus que há em vós.

15 Graças a Deus pelo Seu dom inefável.

 

 

10

1 Eu mesmo, Paulo, vos rogo pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, quando estou presente, sou humilde, mas, ausente, sou ousado convosco.

2 Suplico-vos pois, que, quando estiver presente, não me obrigueis a usar com liberdade da ousadia que me proponho demonstrar contra alguns que julgam que andamos segundo a carne.

3 De facto, embora vivendo na carne, não militamos segundo a carne.

4 Porquanto as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruir fortalezas;

5 derrubamos todos os sofismas e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, reduzimos à sujeição todo o pensamento para o tornar obediente a Cristo.

6 Estamos preparados, para castigar toda a desobediência, quando a vossa obediência for completa.

7 Só considerais as coisas pela aparência. Se alguém se ufana de que é de Cristo, considere igualmente dentro de si que, como é de Cristo, assim também nós o somos.

8 Realmente, ainda que eu me gloriasse um pouco mais do poder que o Senhor me deu para vossa edificação, e não para vossa destruição, não me envergonharia por isso.

9 Mas, para que não pareça que vos quero amedrontar com cartas,

10 - porque as cartas, dizem alguns, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca e a palavra desprezível -,

11 quem assim diz saiba que, quais somos nas palavras por carta, estando ausentes, tais seremos também de facto, estando presentes.

12 Em realidade, não ousamos intrometer-nos ou comparar-nos com alguns que se recomendam a si mesmos; mas esses, medindo-se com a sua medida e comparando-se a si próprios, dão mostras de pouco bom senso.

13 Nós, porém, não nos gloriaremos desmedidamente, mas dentro dos limites da regra que Deus nos marcou como medida, fazendo-nos chegar até vós.

14 Com efeito, não nos estendemos fora dos limites, como se não tivéssemos chegado até vós, porque de facto chegámos até vós com o Evangelho de Cristo;

15 não nos gloriamos fora de medida nos trabalhos alheios, mas esperamos que, crescendo a vossa fé, seremos largamente engrandecidos dentro dos limites da nossa regra,

16 até anunciarmos o Evangelho nos lugares que estão além de vós, sem nos gloriarmos do que é cultivado pelos outros, dentro da parte a eles destinada.

17 “Aquele, pois, que se gloria, glorie-se no Senhor”,

18 porque não é quem a si mesmo se recomenda que é aprovado, mas sim aquele a quem Deus recomenda.

 

 

11

1 Oxalá que suportásseis um pouco da minha insensatez! Mas, enfim, suportai-me!

2 Tenho por vós um ciúme de Deus, porque desposei-vos para vos apresentar como virgem pura, a um único esposo, a Cristo.

3 Mas temo que, assim como a serpente seduziu Eva, assim sejam corrompidos os vossos pensamentos e se apartem da simplicidade e da castidade devidas a Cristo.

4 Porque se alguém vier pregar-vos um Cristo diferente daquele que vos pregamos, ou se vos oferecer um Espírito diferente do que recebestes, ou um Evangelho diferente daquele que abraçastes, sois capazes de o receber muito bem.

5 Mas eu julgo que em nada tenho sido inferior a tais super-apóstolos.

6 Porque, ainda que eu seja inábil no falar, não o sou na ciência, em tudo vo-lo temos manifestado.

7 Ou porventura cometi algum delito, humilhando-me a mim mesmo, para vos exaltar, quando sem interesse, vos preguei o Evangelho de Deus?

8 Despojei outras Igrejas, recebendo delas socorros para vos poder servir.

9 E, quando eu estava convosco e necessitava, não fui pesado a ninguém, porque os irmãos que tinham vindo da Macedónia, supriram tudo o que me faltava; em tudo me guardei, e guardarei, de vos ser pesado.

10 Asseguro-vos, pela verdade de Cristo que está em mim, que esta glória não me será tirada nas regiões da Acaia.

11 E porquê? Será porque não vos amo? Deus o sabe.

12 Mas o que eu faço, fá-lo-ei sempre, a fim de tirar pretexto àqueles que desejam uma ocasião para se jactarem de serem iguais a nós.

13 Esses são falsos apóstolos, operários fingidos, que se disfarçam em apóstolos de Cristo.

14 E não é de admirar, visto que o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz.

15 Não é, pois, muito, que os seus ministros se disfarcem em ministros de justiça. Mas o seu fim será segundo as suas obras.

16 Repito: ninguém me tome por insensato, ou então deixai-me parecê-lo, a fim de me gloriar ainda um pouco.

17 O que vou dizer, para minha glória, não o digo segundo Deus, mas como se fosse um insensato.

18 Visto que muitos se gloriam segundo a carne, também me gloriarei,

19 porque vós, sendo sensatos, suportais de bom grado os insensatos.

20 Efectivamente, suportais quem vos escraviza, quem vos devora, quem vos rouba, quem vos trata com arrogância, quem vos bate no rosto.

21 Digo-o para minha vergonha, como se tivéssemos sido fracos neste ponto. Mas, naquilo em que qualquer um tem ousadia - falo como louco -, também eu tenho.

22 São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São descendentes de Abraão? Também eu.

23 São ministros de Cristo? Vou dizer uma insensatez: mais do que eles, sou eu. Mais nos trabalhos, mais nas prisões, em açoites sem medida, frequentemente em perigos de morte.

24 Dos judeus recebi cinco vezes os quarenta açoites menos um;

25 três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes naufraguei, uma noite e um dia estive nos abismos do mar;

26 muitas vezes em viagens, sofri perigos de rios, perigos de ladrões, perigos dos da minha nação, perigos dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos dos falsos irmãos;

27 em trabalhos e fadigas, em muitas vigílias, em fome e em sede, em muitos jejuns, em frio e nudez.

28 Além destas coisas, que são exteriores, tenho também a minha preocupação quotidiana: o cuidado de todas as Igrejas.

29 Quem está enfermo, que eu não esteja enfermo? Quem é escandalizado, que eu não me abrase?

30 Se é preciso gloriar-se, eu me gloriarei da minha fraqueza.

31 O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito por todos os séculos, sabe que não minto.

32 Em Damasco, o etnarca do rei Aretas, fazia guardar a cidade para me prender,

33 mas desceram-me num cesto por uma janela, ao longo da muralha, e assim escapei às suas mãos.

 

 

12

1 Se importa que alguém se glorie, o que não convém na verdade, farei agora menção das visões e das revelações do Senhor.

2 Conheço um homem em Cristo, o qual há catorze anos foi arrebatado, não sei se no corpo, se fora do corpo, Deus o sabe, até ao terceiro céu.

3 E sei que este homem, se foi no corpo, se fora do corpo, não o sei, Deus o sabe,

4 foi arrebatado ao paraíso, e ouviu palavras inefáveis que não é lícito a um homem repetir.

5 Relativamente a este homem me gloriarei, mas, quanto a mim, de nada me gloriarei, senão das minhas fraquezas.

6 Verdade é que, se me quiser gloriar não seria insensato, porque diria a verdade; porém, abstenho-me disso, para que ninguém julgue de mim mais do que vê em mim ou ouve dizer de mim.

7 E, para que a grandeza das revelações não me ensorberbecesse, foi-me dado um aguilhão na carne, um anjo de Satanás, que me esbofeteie, a fim de não me orgulhar.

8 Por cuja causa roguei três vezes ao Senhor que o apartasse de mim,

9 mas Ele disse-me: «Basta-te a Minha graça, porque é na fraqueza que o Meu poder se manifesta por completo». Portanto, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo.

10 Por isso, alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte.

11 Tornei-me insensato, mas fostes vós que me obrigastes a isso. De facto, era por vós que eu devia ser recomendado, pois que em nada fui inferior a esses super-apóstolos, ainda que não sou nada:

12 entre vós contudo foram realizados os sinais do meu apostolado com toda a paciência, nos milagres, nos prodígios e actos de poder.

13 Porque, em que tendes sido inferiores às outras Igrejas, excepto que em nada vos fui pesado? Perdoai-me esta ofensa.

14 Eis que, pela terceira vez, estou disposto a ir ter convosco, e também agora não vos serei pesado, porque não procuro os vossos bens, mas a vós. Pois que não são os filhos que devem entesourar para os pais, mas os pais para os filhos.

15 E eu de muito boa vontade darei o que é meu e me darei a mim pelas vossas almas, ainda que, amando-vos eu mais, seja por vós menos amado.

16 Mas seja assim! Eu não vos fui pesado, mas, como sou astuto apanhei-vos com dolo.

17 Porventura tirei de vós algum proveito por meio de algum daqueles que vos enviei?

18 Roguei a Tito e enviei com ele um irmão. Porventura Tito explorou-vos?Não andamos com o mesmo espírito? Não seguimos as mesmas pisadas?

19 Desde há muito, julgais que nos justificamos diante de vós. É diante de Deus, em Cristo, que falamos; e tudo isto, caríssimos, para vossa edificação.

20 Pois temo que, quando eu for, não vos encontre como eu quereria, e que vós não me encontreis tal como quereríeis; temo que haja entre vós contendas, invejas, rixas, dissenções, calúnias, mexericos, arrogâncias e desordens,

21 temo que, quando eu for outra vez, Deus me humilhe entre vós, e que tenha de chorar por muitos daqueles que antes pecaram e não fizeram penitência da impureza, fornicação e dissolução que cometeram.

 

 

13

1 Vou ter convosco pela terceira vez. “Sobre a declaração de duas ou três testemunhas tudo será resolvido”.

2 Como já o disse, na minha segunda visita, achando-me presente, assim o digo também agora, estando ausente, que, se eu for outra vez, não perdoarei aos que antes pecaram nem a todos os outros.

3 Porventura quereis pôr à prova que Cristo fala em mim, o Qual não é débil a vosso respeito, mas sim poderoso entre vós?

4 Em realidade, embora fosse crucificado pela Sua fraqueza, vive pelo poder de Deus. Também nós somos fracos n'Ele, mas viveremos com Ele, pelo poder de Deus em vós.

5 Examinai-vos a vós mesmos e vede se estais firmes na fé. Provai-vos a vós mesmos. Acaso não reconheceis que Cristo Jesus está em vós? A não ser que a prova seja contra vós.

6 Mas espero que reconhecereis que nós não estamos reprovados.

7 Rogamos a Deus que não façais nenhum mal, não para que pareçamos aprovados, mas a fim de que façais o bem, ainda que sejamos tidos como reprovados.

8 Porque nada podemos contra a verdade, mas apenas a seu favor.

9 Alegramo-nos de ser fracos, enquanto vós sois fortes. E o que pedimos nas nossas orações é a vossa perfeição.

10 Portanto eu vos escrevo isto, estando ausente, para que, estando presente, não tenha de proceder com rigor, segundo o poder que Deus me deu para edificar e não para destruir.

11 Quanto ao resto, irmãos, alegrai-vos, procurai ser perfeitos, encorajai-vos, tende o mesmo sentir, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco.

12 Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam.

13 A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo  estejam com todos vós.